terça-feira, 29 de junho de 2010

FORMAÇÃO TERAPEUTA EM AYURVEDA EM PETRÓPOLIS




Caros Futuros Terapeutas e Interessados em nossa Formação em Ayurveda,

Nosso programa foi desenvolvido de forma a garantir um total aproveitamento dos temas propostos, através de uma explanação detalhada teoricamente e uma imediata vivência plena do tema em exercício.

A formação ocorrerá conforme os seguintes parâmetros:

Objetivo: Através das bases da Medicina Ayurvédica e sua tradição milenar, tornar o aluno, apto a utilizar esse importante arsenal terapêutico tanto de forma profilática quanto instrumento na restauração da saúde.

Público Alvo: Alunos da área da saúde interessados na Medicina Complementar e suas formas naturais de manutenção da saúde através de uma abordagem holística do ser. Massoterapeutas, Esteticistas, Praticantes de Yoga, público em geral que se identifica com a ideologia oriental.

Carga Horária: o Curso será dividido em 10 módulos presenciais de 16 horas/aula em um final de semana por mês, durante 10 meses. Mais 10 módulos não presenciais.Totalizando cerca de 300 horas/de estudo

Um rico material didático e a experiência longa do instrutor são apenas alguns dos diferenciais deste treinamento , que vem sendo realizado em diversas clínicas, escolas e spas , habilitando profissionais que se interessam pela abordagem holística e o universo milenar de Ayurveda.

Programação Presencial:

Módulo I

Sáb - Introdução a Medicina Ayurvédica, Seu surgimento na planície gangética até os dias atuais. A teoria Tridosha, Identificando os biótipos constitucionais. A ação dos doshas no metabolismo.

Dom- Identificando os doshas e sua ação em nosso sistema bioenergético, Observação e questionamento. A relação Saúde/ Doença sob a ótica Ayurvédica. Dinacharya - a rotina diária como mantenedora da saúde.

Módulo 2

Sáb - Fisiologia Ayurvédica - Tecidos e Sistemas Parte 1

Dom- Fisiologia Ayurvédica- Tecidos e Sistemas Parte 2


Módulo 3

Sáb - Nutrição Ayurvédica – o Conceito de Rasa, o uso do Ghee.

Dom- Ervas e Especiarias usadas na culinária trivial e seu poder terapêutico.


Módulo 4

Sáb- O indivíduo Vata, Principais queixas no quadro de agravamento, Condutas de equilíbrio.

Dom- Tratamentos Específicos, Shirodhara, preparo de óleos medicinais e Navarakizhi.


Módulo 5

Sáb - O indivíduo Pitta, principais queixas no quadro de agravamento, Condutas de equilíbrio.

Dom – Predisposição á doenças. O uso de Lepas, Ghee medicado, Elakizhi.


Modulo 6

Sáb O indivíduo Kapha, principais queixas no quadro de agravamento, Condutas de equilíbrio.

Dom – Udwarthanan, Garshana, banhos de imersão medicada.


Módulo 7

Sáb Tratamentos Específicos de uso Tópico- Kati basti, Janu basti, Hridra basti, Netra Basti.

Dom – Desintoxicação Ayurvédica. Comentários sobre os 5 métodos, benefícios e indicações.


Módulo 8

Yoga e Ayurveda


Módulo 9

Fitoterapia Ayurvédica


Módulo 10

Estética Ayurvédica


Nossa parceria com instituições de ensino na India, tais como o Sukhayu Ayurveda and Panchakarma Center de Jaipur, permite durante e após o treinamento um suporte permanente ao nosso aluno para uma prática segura e coerente com a tradição indiana.

Como opção os alunos que desejarem um maior aprofundamento numa Educação Continuada, terão a creditação do conteúdo programático desta formação para os Cursos avançados na India.


Curriculum Resumido do Instrutor:

José Luiz Azevedo

Endereço eletrônico: ayurvedabrasil@hotmail.com


Formação e Trajetória:

Terapeuta Ayurvédico - International Academy of Ayurveda, Pune ,India.

School of Ayurveda and Pancha Karma, Kerala - India

Atharva Ayurvedic Clinic – Dr. Pankaj Patil – Terapeuta Assistente

Dr. Chowdary Ramil Ayurvedic Clinic- Katmandu, Nepal – Assistente


Representante Exclusivo na America do Sul da Sukhayu Ayurveda & Panchakarma – Jaipur – India


www.ayurvedicdietsolutions.com/ourassociates

Ex- diretor da Associação Brasileira de Ayurveda

Valor da formação : R $ 3.500,00

Parcelados em 10 cheques de R $ 350,00


Professores do SHIVA ESPAÇO de YOGA 20% Off – demais Yoguis 10% OFF

Todo Material Didático e Certificados Inclusos

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O QUE É O TEMPO? (PARTE 3/3)


"Tempo, na área da educação física – mais precisamente de esportes competitivos, é tudo. Tempo é aquele inimigo a quem todo atleta quer vencer ao mesmo tempo (olha ele de novo); é também o amigo que nos acompanha na jornada de treinos. É o nosso referencial. Se por um lado queremos vencê-lo apesar de ser invencível, é por meio dele que vemos as nossas limitações e quanto o esporte pode ensinar os fundamentos da vida (ética, humildade e perseverança).

Por outro lado, no esporte temos a vontade inversa da vida, pois queremos que o relógio passe rápido para que logo completemos os nossos objetivos, quando na vida queremos que ele passe devagar para que as dores e agruras da idade não se aproximem. Hoje, após 25 anos de profissão, tenho no tempo não mais um adversário, mas sim um companheiro a quem confidencio mazelas e alegrias. Sinto por ele um grande carinho e apreço, pois com o passar dele também passam algumas dúvidas e outras certezas se afloram."

Mario Sergio Silva, treinador de corrida



"A percepção da passagem do tempo é inerente à condição humana. Mas, o que é o tempo? Seria algo com existência objetiva, ou um constructo psíquico útil para ordenar os evento sem antes, agora e depois de maneira que possamos descrever as transformações que ocorrem na natureza ao nosso redor?

Podemos responder a esta questão sob várias óticas, por exemplo, sob a visão do homem comum, da física e das tradições do Vedanta e do Tantra não dualista. Para o homem comum, o tempo existe e ele o percebe objetivamente pela constatação de seu próprio envelhecimento. Na física o conceito de tempo é importante para descrever a taxa de variação de alguns fenômenos, como o movimento dos corpos no espaço.

AlbertEinstein, ao elaborar a Teoria da Relatividade Restrita, modificou radicalmente os conceitos de tempo e-espaço unindo-os num novo conceito de espaço-tempo cujas características fogem do senso comum. O tempo e o espaço respectivamente se dilatam e se contraem dependendo do referencial em que se encontram os observadores. Entretanto, o tempo parece ser somente uma variável útil na descrição dos fenômenos, e não o agente que os causa, cuja origem está na cosmologia do Big Bang.

Para as tradições não dualistas da Índia, como oVedanta e o Tantra, o tempo não existe como uma categoria objetiva. Ele surge como um constructo mental, fruto da percepção subjetiva da manifestação da Consciência do Absoluto – Brahman no Vedanta Advaita e Parama-Shiva no Tantra —, que ao se manifestar é percebido, pela cognição sensorial do humano, como um Cosmos em constante transformação. Por isso, o Absoluto é dito ser a origem conceptual do tempo. Na Cosmogonia Abhasavada do Tantra Advaita, o tempo é definido como um dos princípios da restrição consciencial que deu origem ao Cosmos, no décimoTattva, denominado kala.

No mundo em que vivemos, o tempo parece estar orientado em uma única direção, a do futuro. Nós envelhecemos e nunca desenvelhecemos. Então, poderíamos questionar se o tempo seria uma força que flui, tal como um rio, levando consigo nossas experiências e recordações. Não, o tempo não é oresponsável pelas nossas rugas, mas somente algo que nos permite medir a rapidez com que elas aparecem."

Osvaldo Marmo (Tarananda Sati),estudioso de Tantra e Samkhya Yoga



"O tempo é o nome que damos ao desenrolar da projeção do filme que é as nossas vidas, e que pode passar depressa, como quando estamos apaixonados, e pode ser demorado quando estamos entediados. Tudo não passa de uma grande ilusão ou maya. Quando nos desligamos da mente objetiva ou concreta,o dito tempo perde o seu poder de nos influenciar. Como quando estamos dormindo, em coma ou em estado alterado de consciência. O que é o tempo perto da grandeza do Universo?"

E duardo Zabotto Filho, luthier(profissional que faz e restaura instrumentos musicais)



"Como o tempo é um instrumento inventado pelos humanos para julgar a matéria, o lixo, é simplesmente lógico que nós temos de fazer ajustes nesse instrumento. Como estamos agora no pós--futuro, chegamos a um momento em que o mecanismo do tempo receberá uma revisão completa."

Mike Ladd, músico, poeta, ensaísta



"Tic-tac, tic-tac: o tempo na visão hindu. O Ocidente enxerga o tempo em uma progressão linear. O que veio antes, o que está acontecendo agora e o que ainda não aconteceu ocupam lugares contíguos ao longo de uma linha imaginária nas páginas doslivros de história, geologia ou cosmologia. Aprendemos, dessa maneira, que o que já aconteceu não se repete, e que o que ainda não veio nunca aconteceu antes.

No pensamento da Índia, assim como no de outras civilizações antigas, a ideia do tempo linear não existe. Ou existe,mas de maneira muito diferente: o tempo é cíclico e se repete incessantemente. O que está acontecendo agora já aconteceu antes. O que ainda virá já aconteceu também no passado. O curioso é que essa percepção do tempo como um ciclo infinito não é exclusiva dos indianos: para os alquimistas medievais da Europa, o Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda, é símbolo da eternidade. O círculo representa o eterno retorno, a renovação constante, o renascimento redentor. Essa imagem também nos leva a pensar no kalachakra, na roda do tempo da qual falam budistas e hindus.


O SONO DE VISHNU E OS CICLOS CÓSMICOS.

Nos Puranas, antiquíssimos textos que falam, entre outros temas, sobre a origem do Universo, o termo yoganidra (aliás, usado no Yoga para designar as técnicas de relaxamento), alude ao sono do deus Vishnu (nidra significa sono). Vishnu, como preservador da criação, descansa nas águas causais, deitado sobre a serpente de mil cabeças Anantasesha, a infinita. Durante seu sonho surge-lhe do umbigo uma flor de lótus, da qual emerge o deus Brahma para criar o mundo, iniciando um ciclo cósmico de quatro eras (mahayuga).

Na cosmogonia indiana, um yuga é uma idade ou era cósmica. Uma era cósmica é um ciclo completo de nascimento, vida e destruição do Universo. As eras são quatro: krita (a da verdade, ou de ouro), treta(a da tríade, ou de prata), dvapara (a dopar, ou de bronze) e kali (a do vício, ou deferro). O conjunto desses quatro ciclos é um mahayuga. Mil mahayugas constituem um kalpa ou um único dia na vida deBrahma. Ele vive um mahakalpa (100 anosde 360 dias cósmicos, ou seja, mais de 300bilhões de anos terrestres), que é apenas um piscar de olhos de Vishnu! A morte de Brahma determina o mahapralaya, a reabsorção e dissolução do Universo, após a qual o ciclo recomeça. Números que medem o infinito 1 mahayuga = 1,55 bilhão de anos; 1.000 mahayugas = 1 kalpa; 1.000 kalpas = 1 mahakalpa; 1 mahakalpa = 1 dia de Brahma; 1 vida de Brahma = 100 anos ou 36.000 mahakalpas; 1 mahakalpa = 311 quatrilhões de anos, que equivalem a um piscar de olhos de Vishnu!

Os nomes krita, treta, dvapara e kali referem-se ao chaturanga, um antigo jogo indiano em que há quatro combinações possíveis de dados. Ele nos remete ao Mahalila, o Grande Jogo Cósmico, que é uma metáfora para refletirmos sobre a realidade como resultado da manifestação da Consciência Manifestada, Ishvara. Assim como as quatro estações se sucedem ao longo de um ano, as quatro grandes eras se repetem ao longo do tempo, reproduzindo uma estrutura fractal que é perceptível no infinitamente grande, no infinitamente pequeno, e no que há no meio.


O TEMPO CÍCLICO,A HUMANIDADE E A NATUREZA

Assim como a serpente que morde a própria cauda, essa ideia do tempo como uma infindável sucessão de ciclos nos convida a relativizar a condição humana e nosso papel na criação. Diferentemente daquilo que poderíamos concluir olhando para o tempo linear, em que poderíamos colocar no presente, e de maneira bastante confortável, a presença humana na criação, a visão do tempo cíclico nos convida a perceber a transitoriedade e a fragilidade dessa presença. Consequentemente, nos traz de um lado uma sensação de maravilhamento perante a grandeza da criação e, de outro, uma necessária e saudável dose de humildade.

Acredito que uma parte dos problemas que a humanidade enfrenta atualmente deva-se justamente à falta de humildade, àquela atitude de excesso que os gregos chamavam hybris, “aquilo que passa da medida justa”. Presunção, arrogância e insolência em relação à natureza são manifestações de hybris. Em sua obra Estudo da História, o inesquecível Arnold Toynbee enxerga, nessa atitude de arrogância extrema, uma possível causa do colapso das civilizações. O oposto desse excesso de hybrisé sofrósina, que é prudência, parcimônia e bom senso. Se essas virtudes fossem aplicadas, se tomássemos consciência da insignificância do bicho humano diante da grandeza do tempo e da natureza, deixaríamos de ver a nós mesmos como a cereja no bolo da criação.


Em sânscrito, tempo se diz kala. Mas essa palavra também significa morte, fim, destruição. Esses termos, da mesma maneira, nos remetem à humildade e nos fazem repensar que, talvez, o nosso papel na ordem universal não seja assim tão central e que, quem sabe, deveríamos enxergar com olhos mais respeitosos e compassivos as demais manifestações da natureza. Percebendo a dimensão abismal dos ciclos cósmicos, relativizamos aquilo que entendemos como a história linear, e nos tornamos assim capazes de viver o presente da melhor maneira."

Pedro Kupfer, yogi



quinta-feira, 13 de maio de 2010

A PALAVRA NO MURO FICOU COBERTA DE TINTA...

As escrituras pintadas pelo Profeta Gentileza em 56 pilares do viaduto do Cajú, no Rio de Janeiro, serão restauradas por uma equipe da Universidade Federal Fluminense (UFF), como atividade do projeto Rio com Gentileza.
O projeto tem como finalidade desenvolver ações para a recuperação da obra do profeta. O trabalho de restauração terá início no dia 06 de maio de 2010, com previsão para terminar em 08 meses.Os cariocas, ou frequentadores do Centro da Cidade Maravilhosa, que passaram pelas rua do centro do Rio na década de 80 conheceram bem a energia desse ícone da cidade. Porém, foi pela voz da cantora e compositora Marisa Monte, com a canção Gentileza, uma forma de protesto após a Comlurb ter pintado as pilastras de cinza, no final dos anos 1990, que ele passou a ser mais amplamente conhecido.


A História do Profeta

"José Datrino era um empresário, dono de uma transportadora de cargas no Rio de Janeiro, que se viu sacudido por um acontecimento de grande força trágica: a queima de um grande circo na cidade de Niterói. Após seis dias, ele recebe um chamado divino para que deixe tudo que possuía e venha viver uma missão na Terra, assumindo uma nova identidade. Como explicar tal atitude e tal mudança de comportamento frente à realidade? Como é possível que um homem seja levado a abandonar tudo, recolhendo, de um episódio, o anúncio de um novo sentido à vida?


Nascido em 11 de abril de 1917, em Cafelândia, interior de São Paulo, José Datrino era o segundo filho de Paulo Datrino e Maria Pim, dentre os onze filhos do casal. Viveu até os 20 anos naquela região lidando diretamente com a terra, onde ajudava a família a manter-se, mesmo em épocas difíceis. Rapaz franzino, trabalhava puxando carroça para vender lenha nas cidades próximas. Algumas vezes, chegava a fazer duas viagens, numa mesma noite, para prover a família. Como lavrador aprendeu a reconhecer a riqueza da natureza. O campo ensinou também José a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, Gentileza se dizia "amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento".


Desde os doze anos de idade, José já prenunciava uma missão. Achava que teria de "ter uma família, ter filhos, construir bens, mas que, um dia, teria de deixar tudo". O comportamento estranho do filho levou seus pais à suspeita de que fosse acometido de loucura. Razões místicas também foram buscadas e José foi levado a curadores espíritas para que seu problema se resolvesse. Em 1937, já com 20 anos, deixa a cidade de Mirandópolis, sem avisar a família, rumando para São Paulo. Seu destino final era o Rio de Janeiro. Ao se dar conta da partida do filho, seu pai seguiu seus passos até São Paulo, mas não conseguiu interceptá-lo. Para a família, na época, o filho tinha sido levado por um guia espiritual.


José Datrino ficou quatro anos sem dar notícia a seus familiares de Mirandópolis. Conta seu irmão Pedro que, toda vez que ouvia a Maria Fumaça apitar, seus olhos se enchiam de lágrimas na esperança do retorno do irmão. Quando souberam de José, ele já estava estabelecido no Rio e pedia à mãe que lhe enviasse seus documentos.


No Rio, casou-se com Emi Câmara, com quem teve cinco filhos, "três femininos, e dois masculinos".O sustento de José Datrino e sua família provinha de fretes que ele também passou a fazer na cidade.Aos poucos, fez crescer o negócio e, finalmente, estabeleceu-se com uma transportadora de cargas na Rua Sacadura Cabral, no centro da cidade. Cumpria-se seu prenúncio de infância: José Datrino constituíra família e bens; era um empresário possuidor de "três caminhões, três terrenos e uma casa".


Com a vida "estabelecida" no Rio de Janeiro, deu-se a grande mudança na vida de Datrino. Conta Maria Alice, sua filha mais velha, que, numa noite, viu o pai atormentado por uma visita de alguém que queria tornar-se sócio de sua empresa. Com a partida da visita, José Datrino correu para o quintal, e ali cobriu todo o corpo de terra e lama. Soltou, em seguida, os pássaros e as galinhas. Este episódio marcante já revelava a intensidade daquele momento para o pai de família José Datrino: invocando o direito de reesculpir-se do barro, um novo homem fazia-se de um novo humus.


A partir de sua "revelação", ocorrida após a queima de um grande circo em Niterói, o Profeta deixa tudo para a família e ganha uma nova identidade: JOZZE AGRADECIDO ou ainda GENTILEZA. Sua atribuição: "vir como São José, representar Jesus de Nazaré na Terra". Curiosamente, o Profeta já sugere, em seu nome, a possibilidade de sua missão. Datrino significa, em italiano, de três, enviado pelo Trino (Trindade).


Gentileza conta que acabou sendo internado três vezes como "débil mental, como maluco". Numa dessas internações, o "médico psiquiatra" disse à filha do Profeta que seu pai estava tomando choque à toa, pois não era maluco. No pátio do manicômio, relata Gentileza, os enfermos ficavam todos à sua volta, ouvindo sua pregação. Outro médico teria dito ao Profeta: "Gentileza, você veio aqui para nós te curar ou para você nos curar?" Depois destas passagens, Gentileza ganhou novamente a rua. A partir de então, sua figura singular passou a atrair toda sorte de atenção. Aos que o apontavam na rua, como maluco, ele dizia: "maluco pra te amar, louco pra te salvar" ... "seja maluco mas seja como eu, maluco beleza, da natureza, das coisas divinas.


"Em meados dos anos 60, com o verbo na ponta da língua e seu estandarte em punho, Gentileza se apresenta nos lugares como representante de Deus e anunciador de um novo tempo.


Aos poucos, torna-se um personagem reconhecidamente popular. Cria provérbios e máximas para alcançar as pessoas, ensina a gentileza e proclama os costumes em plena época do movimento hippie, do rock e da minisaia. Apesar de cabeludo, Gentileza divergia, em muito, dos jovens 'contestadores' de então. Proclamou o AMORRR espiritual, a HONRRA e o "fim dos vícios da humanidade".


Gentileza jamais aceitou dinheiro das pessoas: "é mais fácil um burro criar asas e avoar do que um centavo de alguém aceitar". Ao contrário, denunciava: "cobrou é traidor - o padre está esmolando, o pastor tá pastando e o Papa tá papando, papão do capeta capital". A pregação anti-capitalista constituiu a denúncia maior do Profeta. Às vezes foi tomado como comunista, tendo que explicar às "autoridades" o porquê das iniciais PC em seu estandarte (na época). Na ambigüidade criada, não se tratava de uma vinculação ao Partido Comunista, mas ao Pai Criador.


Todos esses aspectos contribuem para que, cada vez mais, Gentileza apareça e se destaque na sociedade da época. Gentileza era um caminhante incansável, que estendeu sua presença a vários bairros do Rio de Janeiro, às cidades da Baixada Fluminense, a Niterói e São Gonçalo. Entre Rio e Niterói, Gentileza consagrou-se como o "pregador da lancha", que liga as duas cidades pelo mar; era conhecido de todos naquela travessia. Conhecido também dos médicos do Hospital Psiquiátrico de Jurujuba (Niterói), para onde foi levado, inúmeras vezes, por policiais.


Em fins dos anos 60, o Profeta inicia uma série de viagens que o tornarão conhecido no interior do País. Nessa época, retorna a Mirandópolis reapresentando-se como Profeta Gentileza. Em 1970, parte para o interior de Mato Grosso, rumo a Campo Grande e Aquidauna (atual MS), para pregar a gentileza. Nessa última urbe, sofreu sua primeira grande adversidade como profeta: foi detido por policiais que o conduziram à delegacia. O delito cometido era o de estar pregando sem a Bíblia na mão. Pelo fato de assim constituir uma ameaça ao bem público, Gentileza ficou uma noite preso, tendo seu cabelo cortado e seu estandarte quebrado.


Que mal fez esse homem? - dizia a manchete do jornal de Campo Grande, para onde Gentileza se deslocou depois do ocorrido. Quanto ao fato de pregar sem a Bíblia, o Profeta cunhou uma frase lapidar: "Quem é mais inteligente, o livro ou a sabedoria? Não é a sabedoria? Então eu sou a sabedoria, nós somos a sabedoria de Deus.


"Passado o susto, o Profeta prossegue em sua missão. Ao retornar ao Rio, inaugura um novo estilo. Confecciona uma cartola, às avessas do Tio Sam, onde assinala seus preceitos e virtudes. Com nova indumentária e um álbum a tiracolo repleto de matérias jornalísticas a seu respeito, Gentileza torna-se, novamente, assunto dos jornais que o chamam de "Profeta Tropicalista" e "Chacrinha da Calçada".Pouco depois, novo visual: de cabelo curto, roupa social, Gentileza percorria os jornais para anunciar sua mensagem e sua diligência contra os vícios. Em meados dos anos 70, de cabelo já refeito, ele assumia o terno e a gravata, fazendo-se fotografar em diversas redações de jornais.


Nos anos 70 desponta seu culto à brasilidade, aos temas da bandeira nacional e ao herói cívico de maior expressão na história do País: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Gentileza se refere a Tiradentes como SSENHORR PAPAI JOAQUIM - JOSE DA SILVA XAVIER que, assim como Jesus, sofreu por seu povo. De fato, Gentileza faz vir à tona uma simbolização assente no imaginário cultural brasileiro, que aproxima Jesus e Tiradentes: heróis e mártires, semelhantemente retratados com cabelos e barbas longas. O próprio Profeta, fisicamente, assumiu esta figura, que remonta milenarmente aos profetas bíblicos.


Sua admiração a Tiradentes levou-o várias vezes a Minas Gerais e, especificamente, a Ouro Preto, onde se abrigava em igrejas e repúblicas de estudantes. O monumento a Tiradentes na praça central da cidade era seu principal local de referência. Foi numa dessas idas a Ouro Preto, no convívio com os estudantes que estes lhe sugeriram o uso de uma bata, que acabaria por marcar definitivamente sua figura mística. Em outros municípios, Gentileza também explicitou seu respeito por Tiradentes. Em Brasília e, principalmente, no Rio de Janeiro, o Profeta assistia às homenagens de 21 de abril. No Rio, em frente à Assembléia Legislativa, suas aparições, nesse dia já eram aguardadas pela imprensa. No sete de setembro era sua vez de acompanhar as paradas militares.


No Rio de Janeiro, a maior marca de Gentileza era seu constante deslocamento pela cidade. O Profeta poderia ser visto, num mesmo dia, transitando nas barcas, na Praça XV, pregando na Central do Brasil, na Presidente Vargas e nas imediações da Rodoviária Novo Rio. A caracterítica comum desses lugares era o grande fluxo de pessoas.


Além das grandes viagens pelo país, os anos 80 marcaram uma grande intervenção de Gentileza na paisagem urbana do Rio de Janeiro. Entre a Rodoviária Novo Rio e o Cemitério do Caju, numa extensão de 1,5 km, Gentileza realiza seus 56 escritos murais sobre pilastras do Viaduto do Gasômetro. A obra de Gentileza demarca um espaço e uma permanência - mesmo que ameaçada - para sua mensagem. Desta feita, o Profeta não pinta mais sobre placas, mas diretamente sobre a superfície do concreto. Sua grafia e seus signos, já presentes em seu estandarte e em placas que realizava, se inscrevem agora na própria cidade, transformando pilastras em tábuas de seus ensinamentos. É neste momento que o Profeta apresenta, com toda ênfase, sua denúncia às condições do mundo e à ameaça que incide sobre a Natureza: o CAPETA CAPITAL no mundo contemporâneo é a reatualização do mal concreto que assola a humanidade. Mas os escritos do Profeta nos indicam também sua alternativa. É em seu próprio desígnio - gentileza - que se encontra a chave de um Princípio reorientador do mundo.


Para tal, Gentileza lança mão de uma simbologia religiosa que desperta a atenção pelos signos dos quais se vale e pelo acréscimo de letras nas palavras. Essa forma singular de apresentar-se, marca a apropriação de uma simbologia trinitária e quaternária que Gentileza desenvolve em sua linguagem: o UNIVVVERRSSO é a criação conjunta de F/ P/ E (Pai, Filho, Espírito) em VVV e duplamente participação em RR e SS. Assim como o AMORRR ao qual ele sempre se referia: "amor material se escreve com um R, amor universal se escreve com três R: um R do Pai, um R do Filho, um R do Espírito Santo - AMORRR". Esta mesma marcação aparece em F/ P/ E/ N, incorporando um quarto termo (N) SSENHORRA em sua visão religiosa. Para o Profeta, todos estes termos manifestam gentileza, reafirmando a extensão de sua simbologia. Em última instância, a eficácia de sua alternativa recolhe sua força do alcance de seu próprio desígnio e daquilo que este é capaz de promover: GENTILEZA GERA GENTILEZA, nos convoca o Profeta, proclamando um Princípio ético e divino no mundo.


Esta obra, agora recuperada, constitui uma cartilha com os preceitos básicos de Gentileza à população. É um Livro Urbano, onde cada pilastra é uma página e a leitura é feita à janela dos veículos que por ali passam continuamente. Assim como o episódio do circo inscreveu Gentileza na memória popular, suas viagens pelo Brasil e suas inscrições, perenizadas na entrada do Rio de Janeiro, fizeram dele um dos maiores personagens populares do Brasil. A estrutura dos seus escritos e sua grafia, uma vez vistos, tornam-se inconfundíveis. No início dos anos 90, com a obra concluída, Gentileza costumava ficar ao lado da pilastra 1, sentado numa cadeira, acenando para todos como se estivesse na varanda de sua casa.


Gentileza era muito atento aos acontecimentos públicos: concentrações populares, comícios e passeatas eram sempre um motivo para que o Profeta pudesse levar sua mensagem às pessoas. Uma dessas últimas ocasiões foi a ECO 92, no Rio de Janeiro, onde ele conclama as nações e os presidentes ao uso da gentileza.


A partir de 1993, sua saúde fragiliza-se. Após uma queda, que lhe ocasionou uma fratura na perna, o Profeta já não possuía mais a mesma disposição que o levava, dantes, sem restrição, a todos os lugares. Acometido também de problemas circulatórios, sente cada vez mais dificuldade em andar. No início de 1996, decide retornar a Mirandópolis, São Paulo, próximo a sua cidade natal, onde vem a falecer no dia 29 de maio, aos 79 anos."


COLABORAÇÃO DE MARCELO "FEIO", DE SEU BLOG:

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CURSO LIVRE DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO EM YOGA 2010


Curso Livre de Formação e Aperfeiçoamento em Yoga 2010


O curso oferece um dos mais completos programas que irá conduzir o aluno à excelência técnica,tornando-o profissional em apenas um ano.Adequando também para quem deseja conhecer o Yoga, sua história, benefícios e prática, mesmo para pessoas que não tenham tido contato até o momento.


Faça parte deste curso que já formou profissionais de sucesso e contribuiu na busca por melhorias na vida dos alunos.


Coordenação:Prof. Fabio Goulart


Praticante e pesquisador do Yoga e demais aspectos da cultura indiana há quase duas décadas.
Conduziu diversos cursos e atividades culturais em diversos estados do Brasil e na Índia.
Há 5 anos ministrando cursos de aperfeiçoamento e capacitação para professores de Yoga.
Coordenador do Núcleo Cultural Sathya Yoga
Diretor do Movimento Todo dia é dia de Yoga


Duração: Maio de 2010 a maio de 2011.

Aulas em 1 final de semana por mês, das 09:30h às 17:00h


Inscrições e informações:Sathya Yoga

R. General Osório, 65
Centro- Petrópolis, RJ
Tel.: (24) 2242-7017

Índia: iogue de 83 anos que não come há 70 impressiona médicos


O indiano foi vigiado 24 horas e seguiu sem beber, comer, urinar ou defecar
10/05/2010

O iogue diz que foi abençoado por uma deusa aos oito anos.


Cientistas indianos expressaram assombro após as análises efetuadas durante duas semanas em um homem de 83 anos, que afirma ter passado mais de 70 anos sem ingerir alimentos ou beber água.


O iogue de barba longa Prahlad Jani resistiu sem beber ou comer, mas sobretudo sem urinar ou defecar, durante este período de observação que terminou na quinta-feira, segundo os cientistas.
"Seguimos sem entender como sobrevive sem urinar ou defecar. Este fenômeno é um mistério", declarou à imprensa Sudhir Shah, um neurologista da equipe de 30 médicos que observaram o iogue em um hospital de Ahmedabad (oeste).


Prahlad Jani era vigiado 24 horas por dia por câmeras pelo Organismo de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Defesa (DRDO).


Depois, o iogue regressou à sua terra natal próximo a Ambaji, em Gujarat (norte), onde retomou suas atividades de meditação. O idoso garante que uma deusa o abençoou quando tinha 8 anos e permitiu que vivesse sem alimentos.


Durante as duas semanas de observação, "o único contato de Jani com líquidos era quando fazia gargarejos ou se lavava", indicou em um comunicado o doutor G. Ilavazahagan, diretor do Instituto Nacional de Defesa especializado em fisiologia.


"Se Jani não tira sua energia dos alimentos ou da água, deve fazê-lo de outras fontes que o cercam, e o sol é uma delas", indicou o doutor Sudhi Shah. "Nós, profissionais do setor médico, não podemos excluir hipóteses como a de uma fonte de energia diferente das calorias", disse.
O iogue se submeteu a uma ressonância magnética. Seu cérebro e sua atividade cardíaca foram medidos com eletrodos e foram feitas análises de sangue.


O resultado detalhado será publicado nos próximos meses e os cientistas esperam poder aproveitá-los para aumentar a resistência dos militares ou ajudar as vítimas de catástrofes naturais.


domingo, 11 de abril de 2010

O QUE E TEMPO? (parte 2/3)

O que e Tempo? (parte 2/3)



DEPOIMENTOS


Eu já tive a ilusão de ser proprietário do tempo em um período na minha vida. Quando fiz a Invernagem
Antártica (ficando 642 dias em um veleiro, sozinho) não foi porque eu goste de ficar sozinho, pois, na verdade, não gosto. Mas eu tinha a expectativa de ser dono do meu tempo, fazendo o que quisesse, indo para onde quisesse. E tive uma surpresa engraçada porque a gente tem um monte de facilidades todos os dias em que nunca presta atenção. Em geral não é a gente que lava a própria roupa, que faz a própria comida, que constrói os próprios caminhos. Quando você está isolado geograficamente, enxerga tudo isso. E então a minha ilusão durou pouco porque eu tinha uma quantidade tão grande de tarefas para fazer para ter certo conforto que, no final, eu tinha uma vida normal. Na verdade, ficar um ano e pouco lá durou muito pouco!


Eu precisava ficar mais para curtir tudo o que queria; eu precisava ficar muito mais! Já quando eu viajo com a minha família, gosto que o tempo passe mais rápido na estrada ou no mar para que dure mais quando paramos nos lugares legais. Logo, a visão do tempo muda de acordo com o que se faz. O que sei é que a única coisa que a gente não pode fazer é recuperar o tempo. Por isso gosto da minha atividade e convivo bem com essa história do tempo. Só não gosto é de perder tempo! Faço muitas coisas ao mesmo tempo e todas me dão muito prazer.


Amyr Klink, navegador




Vida e tempo coincidem? Sim. A vida de cada um de nós é o nosso tempo. Afinal, relembrando o óbvio, todas as pessoas, em qualquer época da história, sempre viveram na era contemporânea... Tempo e vida? São a mesma coisa. Minha vida é o meu tempo, ou seja, o continente no qual está o meu conteúdo vital, o invólucro no qual está contida a minha existência, o território com fronteiras que acolhem a minha presença no mundo por um período (um tempo) determinado e limitado apenas em referência aos outros tempos das outras vidas, mas absolutamente ilimitado para mim enquanto vivo. Não é casual que a gente viva reinventando a frase atribuída ao estupendo Guimarães Rosa: "O importante não é chegar nem partir, é a travessia". Entre a chegada e a partida, meu tempo, a travessia; meu tempo como a caminhada, o jeito de caminhar, o trajeto, como convivo com quem comigo caminha, a bagagem e o lugar ao qual quero chegar. Minha vida, meu tempo, ou seja, a medida que usamos para calcular quanto e quando a vida pulsa. Eu me vou, meu tempo acaba, mas o tempo não acaba, pois a vida continua. Por isso, enquanto tenho tempo, isto é, enquanto vivo, esse período é ocupado com ações e pensamentos, ideias e práticas, sucessos e fracassos. Como o que faço e o que penso são escolhas minhas, o uso do tempo é questão de prioridade. Em outras palavras, como o meu tempo existirá ainda que eu fique estático, sem nada fazer além da imobilidade, o que nele faço resulta de decisão livre, a partir da importância que dou ao que farei naquele tempo.


Assim, se alguém diz "não tenho tempo para isto ou aquilo", de fato está dizendo "isto ou aquilo não são prioridade para mim". Desse modo, a grande pergunta continua sendo "no teu tempo, na tua vida, quais são as tuas prioridades?" Ou perdes tempo?


Mario Sergio Cortella, filósofo, mestre e doutor em Educacão pela PUC - SP




Aqui o tempo não passa muito rápido. No fim de semana, quando não tem atividade, é pior, parece que nunca chega a hora de dormir. Aí fora é muito diferente: a gente trabalha, estuda... Agora está mais difícil, porque já estou no período conclusivo, acho que saio na semana que vem. Com a ansiedade parece que os dias demoram mais. Mas faço o que a minha professora de Yoga ensinou. Quando acordo, digo: "Eu sou paz". Ajuda bastante. Agora vou dar valor a cada segundo, ficar perto da minha mãe, ficar com as minhas sobrinhas, mostrar o que aprendi.


G. J. O., detenta da Fundação Casa (antiga Febem)




Quando existe um movimento intenso na tela do radar, o controlador de voo depara-se com duas situações relacionadas ao tempo: em uma delas ele é curto demais apesar de, na verdade, ser longo e, na outra, ele é longo apesar de ser muito curto. No primeiro caso, o tempo de trabalho do controlador de voo dura, em média, duas horas, nas quais ele pode ter as mais diversas situações, como aeronaves com problemas na pressurização de cabine e outros. Nesse momento as duas horas de trabalho passam como se fossem minutos. O outro caso ocorre quando o controlador tem uma situação de risco, em que sabe que sua decisão tem de ser tomada o mais breve possível, com o intuito de evitar um acidente. O controlador pensa em uma solução, emite as instruções e confirma se as entenderam corretamente. Esse processo pode levar de 10 a 20 segundos. Nesse caso, apesar do tempo ser curto, tem-se a impressão de que ele é mais longo.


Ricardo Peres, Supervisor-chefe da Equipe de Controle de Aproximação Radar de São Paulo – APP SP – Aeroporto de Congonhas




Tempo é o desenrolar do meu corpo no espaço. Tempo é a memória de sensações construídas.Tempo é a invisibilidade do virá. Tempo é a solidez dos meus ossos, dos meus olhos alcançando o infinito.


Ivaldo Bertazzo, dançarino e coreógrafo




Amanhã completo 39 semanas de gestação. A cesárea já está agendada para a próxima terça-feira em função do tamanho do bebê — será um meninão. A sensação que tenho hoje é de que a gravidez está chegando ao fim e que este momento foi e está sendo muito, mas muito especial mesmo. Conforme o tempo foi passando e a barriga foi crescendo, começaram os preparativos para a chegada do bebê. Às vezes eu tinha uma sensação de que o tempo não ia contribuir, que o bebê ia chegar antes da hora e o quarto e os detalhes envolvidos não estariam prontos. Aí batia um desespero momentâneo. Mas conforme o tempo (novamente ele!) foi passando, as pendências foram concluídas e as malas da maternidade ficaram prontas, só aguardando... Hoje posso dizer que a gravidez durou o tempo suficiente porque não tive complicações. Estou curtindo muito esse tempo com meu bebê dentro de mim. Enfim, o tempo de espera está acabando e logo terei meu bebê nos braços, momento tão esperado!


Raquel Nader, mãe




O tempo, sob a visão do Vedanta, é a percepção que temos entre dois pensamentos. Quando surge o primeiro pensamento, não há tempo, apenas consciência. Durante um pensamento não há tempo. Haverá tempo quando surgir a menor "distância" possível do segundo pensamento. Assim, a menor unidade de tempo é a percepção do "espaço" entre o primeiro e o segundo pensamento. Com o terceiro pensamento, temos um fluxo e a experiência clara do que chamamos de tempo. Quando não há pensamentos, como no sono profundo, não temos a experiência do tempo. Sem pensamentos, não há concepção de tempo. Nesse sentido, o tempo existe somente na mente, em função direta da experiência do fluxo de pensamentos. Não há uma realidade absoluta no tempo, mas é certamente uma experiência que tem uma realidade, apesar de relativa. Nossa vida e nossos problemas só podem surgir com o tempo, pois dependem dos nossos pensamentos. Podemos perceber nossa realidade além do tempo quando conseguimos perceber a realidade que existe além da mente, dos pensamentos.


Rodrigo G. Ferreira, professor de Yoga e Vedanta




O tempo já foi entendido como um atributo do mundo, uma qualidade do mundo, juntamente com o espaço. Portanto, fenômeno externo ao homem. A partir do pensamento existencial, na filosofia, o tempo ganha outra interpretação e passa a ser entendido como um atributo do homem. Mas não é algo que o homem possua, como se fosse um adereço. O tempo faz parte da identidade humana, da ontologia humana.


Martin Heidegger, por exemplo, pensador de importância essencial para o pensamento contemporâneo, falecido em 1976, diz que o homem 'é' tempo. O homem descobre o tempo quando descobre sua própria finitude, quando descobre que é mortal. Saber-se mortal é saber-se um tempo que se esgota, que se emprega, que se ocupa, que acaba... Desde a compreensão da finitude, a vida ganha sentido. Como ela acaba, a passagem pelo mundo precisa ter uma direção. A morte mostra ao homem que ele é um indivíduo único, que sua vida é sem repetição possível, que ninguém pode morrer por ele, portanto, não pode viver por ele, no seu lugar. A morte é certa, mas ao mesmo tempo, incerta, porque ninguém pode saber quando, como, onde morrerá.


Percebendo-se mortal, o homem se acha convocado a apropriar-se de sua vida, a recuperar-se da dissolução numa dimensão impessoal em que se encontra e na qual se absorve, a dimensão de ser como os outros são. Hannah Arendt, também pertencente a essa tradição fenomenológico-existencial do pensamento, identifica a mortalidade como uma das condições nas quais a vida é dada aos homens, ela faz parte da condição humana. A morte é o encerramento de uma biografia. Pensar dessa maneira é pressupor que o tempo é, primeiro, entendido pelos homens como finito, e não como infinito ou eterno. O tempo sem fim é uma derivação do tempo que acaba. É uma posição contrária ao pensamento cristão tradicional, por exemplo, que acredita que o tempo eterno, que é o tempo de Deus, é o tempo original e a finitude, o tempo derivado. É bom lembrar que há ainda várias outras interpretações do tempo, como o tempo circular, cíclico da antiguidade e do pensamento mítico.


Dulce Critelli, filósofa, professora da PUCSP, terapeuta existencial e coordenadora do centro Existentia




O tempo? Eu sugo gota por gota!


Ed Motta, músico




Uma história baseada na mitologia indiana é que o motivo da criação cósmica é acomodar as almas que querem assumir a posição de Krishna como o supremo Senhor. Deus cria o Universo para satisfazer a todos nós em nossas ego trips! Entretanto, já que qualquer um é menos que Deus, é impossível competir com Ele. Então Krishna faz do impossível uma possibilidade ao criar uma ilusão temporária chamada mundo material, onde podemos nos esquecer Dele e desfrutar, sendo controladores ilusórios por algum tempo. Resumidamente, o Universo foi criado para que cada um de nós pudéssemos ter a experiência de ser o criador. Aqui caímos na física quântica. O universo da matéria é uma ilusão criada por indivíduos para ter uma sensacão de controle dele. Se é uma ilusão, como assim? A matéria não é feita de material real, de acordo com a nossa atual teoria do campo quântico. Ao que parece, a matéria é feita de luz em diferentes formas, mas sempre luz. E, para piorar, a luz vai a lugar nenhum e não leva tempo algum fazendo isso! Ainda assim, preenche o vasto Universo que vemos à nossa volta enquanto viaja grandes distâncias para mostrar o quão grande o Universo é. Mas mesmo esse gigantesco show de luzes na imensa lona do circo do Universo nunca se realizou e, se sim, terminou tão logo começou. "Tempo eu sou, o grande destruidor de mundos. Sob minha influência e presença como tempo eterno, a manifestação cósmica que você vê é criada, mantida e aniquilada em intervalos regulares por minha vontade", declara o Senhor Krishna na Bhagavad Gita. Ele nos diz que tempo, criação e aniquilação são parceiros íntimos na produção do show de luzes cósmico. E, sim, a física quântica nos diz que esse insight ancestral na natureza do tempo em uma escala cósmica de 300 trilhões de anos acaba assumindo um papel similar em uma escala de tempo muito menor que 1.280 trilionésimos de um trilionésimo de segundo.


Fred Alan Wolf, Ph.D. em física. Trecho extraído do livro Time-Loops and Space-Twists: How Our Concepts of Time, Space, and Matter have Changed From the Big Bang to the Human Brain, a ser publicado em 2010 nos EUA pela Hampton Roads Publishing




O tempo para nós, nos cursos de atualização, significa tempo resposta. Ele conta a partir do momento em que recebemos o chamado de emêrgencia até a chegada no local da ocorrência, dando atendimento. Temos até um lema: "Quando os segundos contam, contem com a gente". Temos também a Hora de Ouro, um tempo máximo de 15 minutos para atendimento de vítimas politraumatizadas. A questão do tempo é muito importante quando atuamos em salvamentos de vida. Com os anos de experiência, observei situações em que conseguimos ajudar pessoas naqueles segundos valiosos, mas depois elas vão a óbito no hospital ou a caminho dele. Já participei de resgates em que segundos foram importantes, como um na praia em que uma moça nos mostrou um afogamento. Nós já havíamos observado a vítima nadando de touca e óculos de natação e não percebemos a situação de pânico, pois ela estava caracterizada como nadadora. E há pessoas que por sentir vergonha ou medo de pedir socorro (acenando a mão ou algo parecido), acabam não se manifestando. Foi quando na última hora, no momento em que a moça conversava conosco, ele começou a gritar em desespero: "Socorroooo!". Conseguimos resgatá-lo e sua reação foi de enorme gratidão. Fez questão, no final do dia, de ir até o posto de salvamento e levar presentes, deixando contato para quando precisássemos. Mas o que vale nesse momento é a gratificação de ajudar, não há dinheiro no mundo que pague essa sensação. Outra ocorrência que marcou foi na BR-101, com dois caminhões e dois veículos de passeio. Eu estava em trânsito com um amigo e passei ali na hora por acaso. Quando as pessoas nos viram fardados, acharam que estava tudo resolvido, mas não tínhamos material algum para trabalhar! Observamos os carros, um com dois ocupantes em óbito e o outro com quatro sobreviventes, o casal preso no painel e os filhos no banco traseiro. Uma das crianças estava com as vias aéreas obstruídas por sangue e os dentinhos quebrados. Meu amigo colocou as luvas de proteção e conseguiu salvá-la. Todos do carro sobreviveram. Nesse momento realmente você acaba percebendo que os segundos são importantíssimos. Em 15 anos de trabalho vi cenas muito difíceis e busquei o lado espiritual como suporte. Para lidar com a pressão do tempo, vejo que primeiro você tem de estar bem psicologicamente e manter uma rotina com atividades físicas que elimine todo o estresse para continuar atuando com tranquilidade.


Marlon Correa, bombeiro


O tempo é demorado, a expectativa é muito grande no aguardo do transplante. Não sei quando vou ser chamada, pode ser a qualquer minuto. Esperar é muito importante, mas queria que o tempo passasse logo para diminuir minha ansiedade e angústia.


Marileide da Silva Guerra, paciente à espera de transplante de fígado, na clínica Hepato/ casa de apoio da Apat – Associação para Pesquisa e Assistência em Transplante


Fonte: www.eyoga.com.br

terça-feira, 23 de março de 2010

HORA DO PLANETA 2010 - WWF


Rio de Janeiro é a cidade-sede nacional do evento, que, em 2009, reuniu mais de 4000 cidades no mundo todo.



O WWF-Brasil anunciou mo último dia 3, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o lançamento da Hora do Planeta 2010, movimento mundial de alerta contra o aquecimento global. Em sua segunda edição no Brasil, o evento, conhecido globalmente como Earth Hour, ocorrerá em 27 de março, das 20h30 às 21h30, e terá o Rio de Janeiro como cidade-sede nacional.
Além do Cristo Redentor e da Praia de Copacabana, que tiveram suas luzes apagadas em 2009, a Prefeitura Rio do Janeiro também irá desligar os refletores do Arpoador e da Igreja Nossa Senhora da Penha, levando o evento para a Zona Norte da cidade. A Prefeitura também contatará o Exército para incluir o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, na lista dos ícones cariocas que participarão da Hora do Planeta. Além desses, também já estão confirmadas as participações do morro do Pão de Açúcar, da Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz - e do Jockey Club Brasileiro.



Além de desligar monumentos da cidade, a prefeitura vai envolver a Secretaria Municipal de Educação, levando a mensagem da Hora do Planeta para mais de 800 mil crianças de cerca de mil escolas da rede municipal de ensino.Com o patrocínio da Coca-Cola Brasil, do HSBC, da TIM e do Walmart Brasil, a Hora do Planeta, e pretende contar com a adesão de mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.



Durante o lançamento, o Secretário Municipal de Conservação e Serviços Públicos do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, que representou o prefeito Eduardo Paes, anunciou quais monumentos cariocas serão apagados na noite da Hora do Planeta e transmitiu o entusiasmo do Prefeito com a escolha, por mais uma vez, do Rio como cidade-sede do evento no País. “O Rio vai se envolver tremendamente na Hora do Planeta. Queremos bater recordes e ser uma das cidades com mais adesões em todo o mundo; vamos dar um show”, adianta o secretário, acrescentando que o Rio tem como objetivo se firmar enquanto líder, para o País e para a América do Sul, na questão da sustentabilidade.



Para o País, a expectativa do WWF-Brasil é de aumentar o número de 113 cidades que aderiram à Hora do Planeta em 2009. Segundo Álvaro de Souza, presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil, “a intenção do ato simbólico de apagar as luzes ajuda a criar uma verdadeira onda de conscientização e mobilização da sociedade em relação ao aquecimento global. Só não vê as mudanças climáticas quem não quer. O planeta e o clima estão mudando, e por nossa culpa. Soluções sustentáveis a longo prazo devem ser tomadas e efetivamente implementadas. Isso é responsabilidade de todos”, alerta Álvaro de Souza.



O apoio do governo federal à Hora do Planeta foi confirmado por meio de depoimento em vídeo do Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Segundo ele, a iniciativa faz parte do Plano de Mudanças Climáticas do Ministério. “Um simples gesto de desligar pode acender uma luz de alerta para o planeta”, disse o Ministro. Na ocasião, o WWF-Brasil apresentou a campanha publicitária desenvolvida voluntariamente pela agência Leo Burnett, que consta do filme “Superpoderes”, peças impressas e spots de rádios. A veiculação da campanha será teve início nesta semana e em breve estará nos principais meios de comunicação de massa do País.



No Ano Internacional da Biodiversidade, o objetivo da Hora do Planeta no Brasil é conscientizar a sociedade sobre a importância da conservação e recuperação das matas, florestas e recursos hídricos nacionais como forma de proteção e adaptação contra as mudanças climáticas, bem como para reduzir emissões de gases do efeito estufa causadas pelo desmatamento. Em 2009, milhões de brasileiros apagaram suas luzes e mostraram sua preocupação com o aquecimento global.



No total, 113 cidades do País, incluindo 13 capitais, participaram da Hora do Planeta no ano passado. Ícones como o Cristo Redentor, a Ponte Estaiada, o Congresso Nacional e o Teatro Amazonas ficaram no escuro por sessenta minutos. No mundo, 4088 cidades de 88 países aderiram ao movimento na última edição. A mobilização para o evento já começou, por meio do site www.horadoplaneta.org.br, onde cidadãos, empresas e organizações brasileiras podem fazer seu cadastro, deixar seu comentário e obter mais informações sobre o movimento. O WWF-Brasil também já está em contato com as principais capitais e cidades brasileiras para a realização do evento.



“A Hora do Planeta é um movimento de todos nós. Ela une cidades, empresas e indivíduos para demonstrar às lideranças mundiais - e, principalmente, para mostrar uns aos outros - que queremos uma solução contra o aquecimento global. É uma oportunidade única para nós, brasileiros, de nos unirmos com a comunidade global em uma única voz para combater as mudanças climáticas”, acrescenta Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.



Na primeira edição, realizada em 2007 na Austrália, 2 milhões de pessoas desligaram suas luzes. Em 2008, mais de 50 milhões de pessoas de todas as partes do mundo aderiram à ação. Em 2009, quando o WWF-Brasil realizou pela primeira vez a Hora do Planeta no Brasil, quase 1 bilhão de pessoas em todo o mundo apagaram suas luzes.



Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.



Hora do Planeta no Mundo
A adesão mundial à Hora do Planeta 2010 bateu desde o início da semana o recorde de 2009. Já são mais de 1.300 cidades em 100 países, dos quais 23 participam pela primeira vez do movimento. Até o momento, foram confirmados que mais de 200 monumentos e ícones mundiais terão suas luzes desligadas no dia 27 de março, entre eles, a Torre de Tóquio (em Tóquio), o Portão de Brandenburgo (em Berlim), a Torre Eiffel (Paris), o Sky Tower (Auckland), o prédio do Empire State (Nova York), o Memorial da Paz de Hiroshima (Hiroshima), o Obelisco em Buenos Aires e o Coliseu em Roma.



Cadastre-se e saiba como participar e divulgar a Hora do Planeta 2010
Site oficial e cadastro:
www.horadoplaneta.org.br
Kit de mobilização: www.horadoplaneta.org.br/divulgue.php

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O QUE E TEMPO? (parte 1/3)


O QUE É TEMPO? (parte1/3)


Para uns, é uma ilusão. Para outros, uma implacável grandeza física ou biológica.


28/01/2010


Por Greice Costa


Colaboração: Patrícia Ribeiro, Cacau Peres e Cristiane Tabarelli



Tempo em pensamento


O tempo sempre foi objeto de estudo dos homens, mas ainda não há uma teoria final que o defina. Registros sobre a consciência da passagem do tempo começam na pré-história – arte rupestre documentando nascer e pôr do sol, por exemplo. Alguns dos escritos mais antigos sobre o tema vêm do Egito antigo, de antes de 2650 a.C.:


"Não deprecie o tempo seguindo o desejo, porque a perda de tempo é uma abominação ao espírito" (Ptahhotep).


Os Vedas, textos da filosofia hindu com mais de 4 mil anos, colocam o tempo em ciclos de criação, destruição e renascimento do Universo que duram 4.320.000 anos. Na Grécia, antes de 400 a.C. nasceram muitas visões sobre o tempo. Para Platão, seria um processo cíclico que coexistia com o mundo, a "imagem móvel da eternidade". Aristóteles também acreditava nessa coexistência com o mundo e que este era finito, mensurável e, mesmo assim, eterno. Ele admitia que o "tempo é um número do movimento".


Santo Agostinho, no século IV, defendeu que o tempo não podia existir fora do espírito. Dividiu o tempo em três, com referência no presente: o presente do passado (memória), o presente do presente (atenção) e o presente do futuro (espera).


Os filósofos e teólogos medievais desenvolveram o conceito do tempo do Universo com um nascimento certo, baseado no mito da criação, compartilhado pelas três religiões abraâmicas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Os cristãos ainda acreditam no fim, quando Jesus retorna para o Juízo Final.


Culturas ancestrais como incas, maias, algumas tribos americanas, babilônios, budistas, jainistas e, como vimos, hindus, preferem a ideia da roda do tempo, retratando-o cíclico, em eras nas quais o Universo nasce e se extingue. Para o filósofo alemão Immanuel Kant, do século XVIII, o tempo era um conceito inerente à mente humana e não uma característica do mundo externo. Para o indiano Krishnamurti (século XX), toda a consciência é no tempo – tempo em pensamento, que é a resposta da memória, que é o passado, que se move para o presente até o futuro. A estrutura da consciência, assim como do inconsciente, está na estrutura do tempo, não apenas o cronológico, mas também o psicológico. Dividimos essa consciência entre superficial e escondida. A superficial é a mente educada, moderna. A escondida são todos os fatores latentes do passado. Algumas partes dela estão despertas, outras dormem.


Tempo é dinheiro?


Até o século XVII, os homens mediam o tempo pelas
tarefas que faziam. O puritanismo protestante começou
a inverter essa "conta" – o homem começou a acumular
riquezas e realizar trabalhos para Deus, e assim passou a
fazer o maior número possível de tarefas em determinado
tempo. O capitalismo reforçou essa ideia e a tecnologia
acelerou o ritmo. Vivemos em uma era que valoriza a produtividade
e a velocidade.
Como contraponto, pensadores como Bertrand
Russell e Domenico de Masi colocaram a importância
do ócio no tempo do homem. O último destaca que
hoje luxo não é acumular dinheiro, mas tempo livre.


E o que nós, praticantes de Yoga, temos a ver com
isso? Dedicando tempo à nossa prática, podemos ganhar
presentes, principalmente o presente em si. Em
seu Yoga Sutra, Patañjali diz que a prática (esforço de
manter a estabilidade) torna-se bem centrada quando
contínua, com devoção reverente e sem interrupção
por um longo período de tempo. Princípios como
autoconhecimento e verdade o levam a descobrir o
que é essencial para você. Desapego ajuda a refletir se
você realmente precisa dispensar tanto tempo de sua
vida para ganhar mais dinheiro.


E para seguir um ideal: Kaivalyam é a condição em
que acontece a perfeita integração entre o praticante
e o universo ao seu redor e ambos tornam-se um. A
mente não se limita mais a pensamentos nem é influenciada
pelas inconstâncias do tempo, e é indiferente
às mudanças, pois não se subordina às qualidades
da matéria.
Não é exatamente a busca do tempo livre, mas do
tempo em liberdade.


Em ciências


Na física, o tempo é considerado uma das grandezas fundamentais. Atualmente os cientistas acreditam que o Universo, inclusive o tempo, surgiram no Big Bang, a grande explosão, há cerca de 12 bilhões de anos. Stephen Hawking, um dos cientistas mais importantes de nossa época, diz que mesmo que o tempo não tenha começado no Big Bang, nenhuma informação antes desse período seria acessível e nem teria efeito sobre o nosso presente.


Galileu, no século XVI, e Isaac Newton, entre os séculos XVII e XVIII, introduziram a medida do tempo e de alguma forma o imobilizaram. Antes deles, o tempo era conhecido intuitivamente, era algo subjetivo e orgânico. Ao ser medido, deixou de fazer parte do todo, da natureza, e passou a ter uma existência abstrata e independente. Na mecânica de Newton, o tempo é um parâmetro que nada faz. Por seu lado, Gottfried Leibniz, contemporâneo de Newton, afirmou, antecipando Albert Einstein, que tempo e espaço são relativos.


Já no século XX, Einstein, com sua Teoria Geral da Relatividade, revelou que o espaço e o tempo podem ser distorcidos na presença de matéria e de energia devido a um processo gravitacional. Assim, devolveu-os à natureza como algo real, que participa e que se transforma.


Atualmente questiona-se se é possível definir o tempo quântico, ou ainda se este tempo quântico tem direção. O tempo quântico provavelmente não pode ser definido e talvez nem exista, já que faz parte do microscópico mundo quântico de átomos, núcleos atômicos e partículas subnucleares, onde tudo pode acontecer. Amit Goswami contesta as teorias materialistas e desconstrói a ideia de que a matéria é o principal elemento formador da criação. Ele afirma fazendo seu o ensinamento da milenar tradição hindu, no qual a consciência é o fundamento de tudo aquilo que conhecemos e percebemos.


Fontes:


• O Tempo através do Tempo ou Tempo É uma Ilusão, Prof. Dr. Paulo Laerte Natti, Profa. Dra. Érica Regina Takano Natti


• Na Medida Certa, Alexandre Vinicius C. Damasceno e Roseane Corrêa Gomes


• Wikipedia


• A Eliminação do Tempo Psicológico, J. Krishnamurti e David Bohm


• O Universo Autoconsciente – Como a Consciência Cria o Mundo Material, Amit Goswami




Artigo extraído do site www.eyoga.uol.com.br

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O TEMPO ANDA CURTO?

Amigos,

Muitas vezes achamos que o tempo parece que está encurtando... Eis uma resposta BEM INTERESSANTE MESMO!!!!!!

(Artigo do jornal O Estado de São Paulo)

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.

Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.

Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:

Nosso cérebro é extremamente otimizado.

Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.

Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.

Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.

Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e, portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.

É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.

Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.

Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.

Como acontece?

Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência).

Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.

Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.

Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.

Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a...

ROTINA

A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).

Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.

Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.

Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).

Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.

Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.

Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.

Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.

Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.

Seja diferente.

Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos..... em outras palavras...... V-I-V-A. !!!

Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.

E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.

Cerque-se de amigos.

Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.

Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?

Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.

E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES di f E rEn tEs !

CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE...

V I V A !!!!!!!!

(Esse texto foi enviado para mim por um amigo, Cláudio Cruz, achei muito interessante e resolve publicá-lo no blog.)

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